domingo, 3 de setembro de 2023

A noite.

"Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu"
 Lembrança perdidas, insignificantemente iludidas, trechos com meu português errado, minha obra prima não merece aplausos.
Todas as vezes que li ou assisti a algum romance, sempre pensei que o meu nunca aconteceria, por vezes aqui escrevi história frias, baseadas no frio profundo da minha alma, porém ela apareceu, mesmo sendo por pouco tempo aqueceu meu coração, me deu fagulhas de amor e ternura que as lembranças ainda me fazem escrever. 
 Não foi um retorno ao fundo do poço, quando você conhece todas as belezas do amor e a perde, é como cair no fundo do oceano, frio e sem luz, descendo devagar, vendo a luz sumindo em um azul sem fim, depois uma escuridão infinita. 
Poderia escrever esse texto em poesia, mas versos não contam bem histórias tristes, são como flores desabrochando no momento da leitura, são feitos para contar histórias alegres ou histórias tristes com final, e essa minha história não tem um final, não que eu ache possível um futuro final feliz mas acho que a marca dessa paixão não vai deixar meu coração. 

Sempre me lembrei de todas as minhas paixões a noite antes de dormir, algumas vezes platônicas, algumas vezes reais, poucas vezes felizes, porém somente uma foi como essa, a ponto de mudar minha vida, desgraçar minha existência, desestrutur meu intelecto e marcar minha alma.

Platonicidade mórbida.

Amores que não se realizam são ditos platônicos, todos os meus amores foram assim, motivos muitos, alguns até eclipsaram meu intelecto, alguns entendem, outros não, amores platônicos são amores elevados a figura do abstrato, nunca foram, nunca serão, tão pouco estão.

Seu amor não foi um amor platônico, foi uma fantasia realizada no limite do real e ireal, um fino suspiro de felicidade, as vezes um amor real não é tão importante quanto a "platonicidade" que compõem a psiquê de nossas paixões, mas o seu não, o seu foi puro, maculado no limiar do fim, intocável perante minha alma, "dorcemente" incontáveis sofrimentos na posterioridade da vida. 

Hoje não sou mais eu, não o eu que era, sou o eu que ficou, o que restou da sua passagem em minha vida, brumas sonolentas de morte, uma chuva em um funeral, um desgosto perante a dor.